UMA FORMA MAIS DECISIVA E ESTÁVEL DE LIDAR COM A IRA É EXAMINAR SUAS ORIGENS E TRATAR NÃO OS SINTOMAS, MAS A CAUSA... (PADRE WILLIAM MENINGER)

Uma forma mais decisiva e estável de lidar com a ira é examinar suas origens e tratar não os sintomas, mas a causa. Começamos tentando descobrir a causa. Quando alguém ou alguma coisa desencadeia sua ira, isso não diz muito sobre aquela pessoa ou coisa, mas pode ser um manancial de informações úteis sobre você mesmo. O que sua ira lhe diz sobre você mesmo? Por que essa situação particular, ou pessoa, desencadeia sua ira? A resposta não está fora de você, mas dentro. O que em sua própria vida ou formação está sendo atingido? Como Jesus ensinou: "Não é o que entra pela boca que torna o homem impuro, mas o que sai da boca, isso é que torna o homem impuro. (...) Mas o que sai da boca provém do coração e isso torna impuro o homem. Porque do coração provêm os maus pensamentos, os homicídios, os adultérios, a prostituição, os roubos, os falsos testemunhos, as blasfêmias. É isso o que torna o homem impuro" (Mt 15,11.18-20).
Há uma forma especial de abordar a ira que pode ser útil. Quando reconhecemos o despertar de sentimentos de raiva, podemos atribuí-los, em geral, a uma de três causas. Naquele momento, sentimos ameaçada uma (ou mais) de três necessidades instintivas: nossa aspiração por segurança, nosso desejo de aprovação ou nossa vontade de controlar as situações e pessoas. Examine a causa interna imediata de sua ira. Geralmente, você achará que pode facilmente reconhecer como ela atinge um dos três pontos em questão: segurança, controle ou necessidade de aprovação. Essa é uma forma de nos comunicarmos com nossos ferimentos, porque, qualquer que seja o botão que está sendo pressionado, segurança, controle ou aprovação, volta para algum incidente de sua experiência antiga.
Uma vez que você determina qual botão está sendo apertado, você pode fazer uma afirmação como esta: "Estou ficando com raiva, porque meu filho esqueceu de limpar a entrada. Por que isso me deixa zangado? É porque minha segurança está ameaçada? Não. É minha necessidade de aprovação? Não. É meu desejo de controlar? Certamente!"
A próxima coisa que você se pergunta é: "Eu quero abandonar meu desejo de controlar (de aprovar, de estar seguro), neste incidente particular, que é a causa de minha ira?" Você pode fazer isso, simplesmente querendo. Não significa que você esteja deixando seu filho fugir de seus deveres. Significa que você mesmo está sendo capaz de corrigi-lo sem ira. Porque você quer que ele faça a coisa certa, e não porque ele está desencadeando em você uma mania de controle. Assim, apenas diga a você mesmo: "Estou zangado porque quero controlar esta situação. Mas minha ira realmente fará o oposto. Se eu expressá-la, perderei o controle. Então, de boa vontade e deliberadamente, recolho meu desejo de controlar esta situação."
Outra coisa que se pode fazer é, ao detectarmos qual desses três centros de energia está sendo afetado, podemos dizer:
'Renuncio à minha necessidade de controlar'; 'renuncio à minha necessidade por segurança', etc, etc.
Na verdade, esses três centros de energia que todos nós possuímos, são úteis e bons. Todos precisamos deles para sobreviver sadiamente. Mas, quando são exagerados, quando extrapolam os limites da normalidade, aí se tornam problema. Então, em certos momentos, tendo consciência dos exageros, simplesmente nos desapegamos, renunciamos. E, com a graça de Deus, vitória nossa.

(Do livro de William Meninger, OCSO, "O Processo do Perdão", pg. 76/77, ed. Santuário)

[Fonte]

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