Perdão
(verso retirado de Dhamapada  o livro sagrado budista)

É difícil perdoar e é necessário muita força e capacidade de amar para conseguir perdoar. Não se pode forçar o perdão.
Contudo, o perdão é imprescindível nas nossas vidas se queremos viver em paz, todos estamos feridos de uma maneira ou de outra, seja por frustrações, decepções, desgostos de amor, traições...
Quando  nos  magoam  e  não  conseguimos  perdoar,  ficamos  dominados  pelos seguintes sentimentos:
a) perpetuar em nós e nos outros o mal que nos fizeram
b) viver com um ressentimento permanente
c) permanecer preso ao passado
d) vontade de vingança

a) perpetuar em nós e nos outros o mal que nos fizeram
Quando  nos  magoam,  qualquer  que  seja  o  aspecto  em  que  nos  sentimos afetados, há um movimento interior no sentido de
imitarmos quem nos ofendeu como se um vírus nos tivesse contaminado. Há uma tendência para reagirmos mal não  só  com  o  agressor  mas  também  conosco  próprios e  com  os  outros.  

É  o mecanismo  defensivo  de imitação  do  agressor,  como  que  por  instinto  de sobrevivência  a  vítima  identifica-se  com  o  seu  agressor.  Como  se  tivessem permanecido no inconsciente essas tendências destrutivas.

b) viver com um ressentimento permanente
O  ressentimento  não  é  um  sentimento  de  raiva  saudável  que  se  manifeste quando  alguém  nos  magoa,  o  ressentimento  instala-se   de  forma  permanente  e deixa-nos sempre alerta contra qualquer ataque real  ou imaginário.
O ressentimento traduz sempre a existência de uma ferida mal curada  e, muitas vezes, leva a doenças psicossomáticas. Muitas vezes o ressentimento provo ca stress, chegando a afetar o
sistema  imunitário  que,  estando  em  permanente  alerta,  pode  não  reconhecer elementos patológicos e, deste modo, permitir a deterioração de órgãos sãos. Há estudos  que  mostram  existir  uma  relação  entre  viver   com  ressentimentos  e  o
surgimento de doenças imunodeficientes como a esclerose ou o cancro.
c) permanecer preso ao passado
A  pessoa  que  não  sabe  perdoar,  dificilmente  consegue  viver  o  momento presente.
Agarra-se obstinadamente  ao passado condenando assim o seu presente e bloqueando o seu futuro. A sua vida está presa ao
 passado.
 
d) vontade de vingança
Esta  é  uma  das  respostas  mais  instintivas  e  espontâneas  na  tentativa  de compensar  o  próprio  sofrimento,  infligindo-o  ao  agressor.  A  imagem  do  agressor humilhado e em sofrimento proporciona ao vingador um gozo narcisista, constituindo um bálsamo temporário para a dor, mas não o liberta  do sofrimento e, esse alívio efêmero,  a  longo  prazo  transforma-se  numa prisão.  O   instinto  de  vingança  cega quem se deixa envolver por ele e, muitas vezes, agressor e ofendido entram num circulo de violência sem fim. A famosa lei de “olho  por olho e dente por dente”
lei de Talião não resolve nada, antes pelo contrário, aumenta a violência. Na dinâmica da vingança, a pessoa é levada por um impulso que depois se torna incontrolável. A obsessão pela vingança insere-se nessa espiral de violência e em vez de ajudar a curar a ferida, agrava-a. Decidir não se vingar é, assim, o primeiro passo para poder perdoar. Só o perdão rompe a espiral de violência e  o desejo de vingança e pode conduzir a uma renovação das relações humanas.
A SABEDORIA DE PERDOAR  E PERDOAR-SE
Emma Martínez Ocaña

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Sábias palavras. obrigada.

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