MESTRE OMRAAM MIKHAEL AIVANHOV

 

"Para justificar as suas atitudes desajeitadas, os seus erros, os seus insucessos, uma pessoa diz: «Ah, mas eu cria que...» Sim, ela cria, cria, mas crer só serviu para a transviar. E o mais grave é que essa “crente” continuará a crer... E a transviar-se! Até quando? Até aprender a substituir as suas crenças pela fé verdadeira, que está assente num saber.
Dir-se-ia que, ainda assim, as pessoas sentem a diferença entre crença e fé, pois, por vezes, dizem «Eu creio» quando estão a exprimir uma incerteza. Quando se diz: «Creio que ele virá amanhã.», na realidade não se está muito seguro de que isso aconteça. E a pergunta: «Crê nisso?» (por exemplo: «Crê que a situação vai melhorar?») significa que se está a explorar um terreno desconhecido, que ainda se está na incerteza. Ter a verdadeira fé é trabalhar no conhecido, isto é, num domínio em que se adquiriu uma longa experiência, graças a esforços continuados."

 

 

"A rádio, o telefone, o radar, a televisão, etc., são outras tantas aplicações práticas de uma só descoberta: a circulação das ondas através do espaço. Mas, por que se há de deixar que sejam só a ciência e a técnica a explorar esta descoberta? O espaço não é atravessado apenas por ondas que permitem telefonar, seguir um programa de rádio ou de televisão, etc. Há outras ondas ainda mais subtis que o atravessam; o ar que nos rodeia está saturado de correntes, de mensagens, que nós também podemos captar, pois o Criador equipou o ser humano com aparelhos que lhe permitem receber as ondas emitidas pelos espíritos mais evoluídos, pelos Iniciados, pelos Anjos, pelos Arcanjos, por todas as entidades celestes.
Por que se há de ficar apenas em comunicação com humanos que se exprimem com tantos gritos, reivindicações, revoltas, ameaças? Devemos utilizar os aparelhos que Deus nos deu (o cérebro, claro, mas também o plexo solar, o centro Hara, os chacras...) para entrarmos em comunicação com os seres que nos são superiores. Quando conseguirmos entrar no mesmo comprimento de onda que eles, seremos recebidos na sua luz e na sua paz."

 


"Nos domínios político e económico, quando as pessoas apelam à unidade, trata-se quase sempre de entendimentos baseados em interesses egoístas, um pouco como os bandidos que se unem para fazer um assalto. Claro que a verdadeira unidade não é isto, mas é assim que ela é compreendida: unir-se para se atirar a outra pessoa com o objetivo de a afastar ou mesmo de a aniquilar. Quando os cidadãos de um país dizem «Unamo-nos!» e esta união só tem por fim combaterem o país vizinho e não entenderem-se com ele, não se pode falar, realmente, de unidade.
A verdadeira unidade deve ser sempre o mais ampla possível. Se, no corpo, um órgão realiza a unidade para ele próprio sem trabalhar em harmonia com os outros, talvez se sinta bem, mas os outros sofrerão e a unidade estará comprometida. Quando falamos de unidade, subentendemos uma unidade universal, cósmica, da qual nada nem ninguém é excluído. Mas esta unidade tem de ser feita primeiro em nós mesmos: todas as nossas células, todas as nossas tendências unidas em direção a Deus. Este esforço que nós fazemos refletir-se-á nas outras unidades, os humanos, e todas essas pequenas unidades dispersas, ao juntarem-se, formarão uma unidade universal. "

 

 

"A única maneira de regulardes corretamente as vossas relações com os outros é nunca perderdes de vista a questão das duas naturezas: inferior e superior. Confiai unicamente na natureza superior, a natureza divina, em vós e nos outros.
Um ser humano é como um banco no qual depositais capitais. Por isso, atenção! Assegurai-vos primeiro de que “o banco” ao qual vos dirigis é sólido, fiável, senão arriscais-vos a perder tudo e depois não servirá de nada queixardes-vos ou revoltardes-vos. E como vós próprios sois um banco, esforçai-vos por também ser um banco digno de crédito. A questão não se limita a saber se vós podeis confiar ou não nos outros; questionai-vos se também eles podem confiar em vós e procurai merecer a sua confiança. É isso que deve realmente importar-vos, acima de tudo."

 

 

"Um homem de negócios que fez fortuna dir-vos-á que é feliz? Na maior parte dos casos, ele terá imensas razões para se lamentar. Dir-vos-á que está cheio de trabalho, que a sua mulher é gastadora e aproveita as suas ausências para o enganar, que o filho é um incapaz e os seus operários são preguiçosos, que as suas ações baixaram na Bolsa, que vai ser arruinado pelos concorrentes, etc. Se o escutardes, algum tempo depois sentir-vos-eis tão em baixo como ele. Apesar de tudo aquilo que possui, ele nunca poderá fazer-vos sentir como a vida é bela, pois vive com medo de perder o que possui. Portanto, ele não só não vos dará nada, como vos tirará a vossa paz, a vossa alegria de viver.
Pelo contrário, um homem que trabalhou para adquirir riquezas espirituais sente não só que essas riquezas são inesgotáveis, mas também que ninguém pode tirar-lhas. Portanto, ele estará sempre pronto a fazer-vos beneficiar delas e, graças a ele, qualquer que seja a situação em que vos encontreis, tereis melhores condições para saborear a beleza e o sentido da vida."

 

 

"A vida está baseada na existência dos contrários, isto é, no princípio da polaridade: ativo e passivo, masculino e feminino, emissivo e recetivo, bem e mal. Na realidade, esta oposição é uma complementaridade, e é dela que nasce o movimento. Esta ideia é expressa pelo número 2, que é o número da polarização. O 2 é o 1 que se dividiu em positivo e negativo.
Nas cartas do Tarot, o número 2 é representado pela Papisa, que tem um livro aberto sobre os joelhos. O livro fechado representa o 1 e o livro aberto representa o 2. Quem sabe decifrar este arcano é capaz de resolver, na sua vida, o problema do mal. Essa pessoa compreende que o bem e o mal, o amor e o ódio, a luz e as trevas, embora contrários nas suas manifestações, são os dois aspetos de uma mesma realidade. Por isso, de nada serve querer lutar contra o mal. Só é preciso aprender a utilizar as forças do mal (as dificuldades e as provações) para as transformar em energias construtivas."


 

"O pensamento tem um papel importante a desempenhar no vosso aperfeiçoamento. Então, aqueles que querem tornar-se mais sábios, mais fraternos, mais fortes, podem dedicar tempo a desejar e a visualizar essas qualidades. Podem imaginar-se rodeados de luz, enviando o seu amor para o mundo inteiro, resistindo às dificuldades e às tentações... Pouco a pouco, as imagens que eles formam dessas qualidades tornar-se-ão vivas, agirão sobre eles, transformá-los-ão, e trabalharão para atrair do Universo os elementos apropriados e introduzi-los em todo o seu ser. Evidentemente, são necessários muito tempo e muito trabalho para se chegar a um resultado. Mas, no dia em que esse resultado surge, o ser que o alcançou já não pode duvidar dele, sente acima de si uma entidade viva que o protege, o instrui, o purifica, o ilumina e, nas situações difíceis, lhe traz o apoio de que ele necessita.
Devemos começar por formar algo de ideal no mundo do espírito. Depois, graças ao pensamento, essa perfeição descerá, pouco a pouco, à nossa matéria psíquica para aí se concretizar."

 

 

"Seja o que for que façais, pensai em só distribuir influências benéficas. Para isso, podeis servir-vos das vossas mãos, que são dos melhores instrumentos de transmissão. Quando acariciais a cabeça daquele ou daquela que amais, em vez de procurardes nisso um prazer egoísta, concentrai-vos nas vossas mãos e dizei: «Que Deus te abençoe! Que nesta cabeça reine a luz, que todos os anjos venham instalar-se nela!» Nesse momento, o vosso amor já não será feito de sensualidade, ele transformar-se-á numa energia benfazeja e trar-vos-á uma sensação extraordinária de alegria, de dilatação. E quando tocais a cabeça do vosso filho, as suas perninhas ou os seus bracinhos, abençoai-os também, para que os anjos venham fazer dele um ser magnífico.
Aprendei a abençoar assim tudo aquilo em que tocais: os objetos, os alimentos, os seres. É isso a verdadeira magia branca."

 

 

"Nunca é fácil desembaraçar-se dos seus estados negativos. Suponhamos que sois invadidos por um sentimento de malquerença, de inveja, de rancor e, por mais que façais para afastá-lo, não conseguis. O que aconteceu foi que certas entidades malfazejas se agarraram a vós. Então, que fazer?... Começai por olhar calmamente para essas entidades, observai as suas manifestações, as suas manigâncias. Ao observá-las, já estais a colocar-vos acima delas. Então, acontecerá o seguinte: como elas sentem que há um olhar que as vigia, que as analisa, sentem-se incomodadas, pois não gostam de ser desmascaradas. E se, nesse momento, vos ligardes ao Céu, é como se projetásseis sobre elas alguns raios de luz: elas começam a dispersar, a luz fá-las fugir.
Evidentemente, essas entidades não se deixarão expulsar assim tão facilmente, são teimosas, podem voltar, e é mesmo certo que voltarão; mas vós ireis observá-las de novo e projetar sobre elas feixes luminosos. E será assim até ao momento em que conseguireis desembaraçar-vos delas definitivamente. Sim, porque tereis conseguido manter-vos sempre por cima."

 

 

"Deus está em nós e fora de nós. O mesmo acontece em relação ao nosso Eu superior: ele vive nas regiões sublimes e vive também em nós. Mas como podemos nós sentir a presença dessa entidade divina que é plena luz, pleno amor e pleno poder? É difícil, evidentemente, mas devemos começar por procurar em nós mesmos todos os sinais desta presença, sabendo que é ela o nosso Eu verdadeiro.
Foi dito: «Conhece-te a ti mesmo!» Para alguém se conhecer verdadeiramente, tem de se conhecer no Alto, no mundo divino. Enquanto o ser humano não tiver consciência de que existe no Alto como uma parcela da Divindade, não se conhecerá. Conhecer-se é encontrar-se a si próprio ao mesmo tempo que se encontra Deus. Quando se encontra Deus, encontra-se o amor, a luz, a liberdade, a alegria, e não só em si próprio, mas também em todos os seres humanos e ainda nos animais, nas plantas, nas pedras. Quando se encontrou Deus em si próprio, descobre-se Deus por toda a parte, e conhecer-se verdadeiramente é isso."

 

 

"Os anais da Ciência Iniciática relatam que a espécie humana, tal como a conhecemos, não é a única que existiu na Terra; foi precedida de outras humanidades e, entre elas, algumas tinham uma cultura muito mais avançada do que a nossa. Elas desapareceram porque deram livre curso aos impulsos da sua natureza inferior; e a natureza inferior tem como único objetivo dominar e subjugar, tanto os outros como a Natureza.
É um péssimo presságio para o futuro da nossa humanidade o facto de se ver estas tendências de domínio manifestarem-se crescentemente, e tanto mais que os progressos da ciência e da técnica estão sempre a pôr novos meios à sua disposição. Se os humanos não decidirem aprender a pôr os impulsos da sua natureza inferior ao serviço da sua natureza superior – as forças da alma e do espírito –, destruir-se-ão. A Inteligência Cósmica, que vive na eternidade, “está-se nas tintas” para uma humanidade, deixá-la-á seguir por esse caminho. Já desapareceram tantas humanidades que, se esta também desaparecer por sua própria culpa, isso não perturbará muito a Inteligência Cósmica; com uns quantos indivíduos que restarão, ela preparará uma nova."

 

 

"Para receberem as correntes benéficas que percorrem o espaço, os seres têm de se abrir. O Senhor espalhou abundantemente todas as suas bênçãos, e, se vós não as recebeis, é porque tendes uma conceção tão limitada da vida que vos separais d’Ele. Depois, lamentais-vos: «Ninguém me ouve, ninguém vem ajudar-me, estou só, estou abandonado. Não é possível que Deus exista!»
 Os humanos são extraordinários: põem-se numa situação deplorável e depois tiram a conclusão de que Deus não existe. Nada disso!... Eles que procurem um pouco abrir-se a Ele, comunicar com Ele, e descobrirão que Ele está sempre presente para os apoiar, para os iluminar, e que, se eles não receberam essa ajuda, essa luz, é porque se fecharam. Aquele que se limita faz mal a si próprio. Esforçai-vos por vos abrir, por alargar o vosso horizonte: sentir-vos-eis deslumbrados, sentireis as bênçãos da presença divina por toda a parte: acima de vós, à vossa volta e em vós."

 

 

"É preciso saber utilizar alternadamente as faculdades do intelecto e as do coração, quer dizer, equilibrar a corrente fria, que circula na região da sabedoria, com a corrente quente, do amor. A verdade está neste equilíbrio. Se não for temperado pela sabedoria, o amor leva à suscetibilidade, ao deixa-andar, à sensualidade; mas a sabedoria, sem o amor, conduz à frieza, ao menosprezo, à crueldade. Portanto, o frio da sabedoria deve atenuar o calor do amor e o calor do amor deve moderar o frio da sabedoria. A verdade, isto é, a vida, encontrará neste clima temperado as melhores condições.
Para o grão de trigo se desenvolver normalmente, precisa de calor, mas não demasiado, e de frio, mas também não em excesso. Se há uma temperatura favorável para todas as sementes, por que não há de ser também assim em relação à semente que o ser humano é? Por que é que ele haveria de ser uma exceção?"

 

 

"Para se compreender o sofrimento e suportá-lo, não se deve considerá-lo um castigo. O sofrimento é, antes de mais, um aviso, uma lição, para travar os humanos que estão a escorregar por uma encosta, em vias de se perderem. Quando eles teimam em não querer compreender, só resta o sofrimento para os instruir e os salvar.
Evidentemente, seria preferível não se ter de chegar a esse ponto; mas, o que fazer? Depois de a Inteligência Cósmica já ter tentado a sabedoria, as explicações, enviando Iniciados, e ter tentado também o amor, a paciência, enviando santos, profetas, mártires, sem que, mesmo assim, haja mudanças, só lhe resta utilizar as provações, e então ela deixa os déspotas, os criminosos, os carrascos, tomarem o poder. A Inteligência Cósmica só utiliza o sofrimento em último recurso, quando, depois de ter tentado tudo, só resta este meio para fazer os humanos refletirem. "

 

 

"Na Natureza, tudo respira: as flores, as árvores, os oceanos e até as pedras... Direis vós: «Mas não se pode conceber o fenómeno da respiração sem ser através dos pulmões!» Por que não? A vida não necessita, forçosamente, dos mesmos órgãos para assegurar as mesmas funções. Observai uma árvore: ela não tem pulmões, nem estômago, nem fígado, nem intestinos; contudo, respira, alimenta-se, assimila, elimina, reproduz-se. E muitas árvores até vivem bastante mais tempo do que os homens! Elas resistem às intempéries, dão flores e frutos perfumados, ao passo que o homem, com todas as suas faculdades, é tão frágil que a mínima coisa pode destruí-lo.
A maior parte das pessoas tem ideias erradas acerca da Natureza. Na sua opinião, para, realmente, se estar vivo e ser inteligente, tem de se ser constituído como elas. Mas a Natureza não quer saber das suas opiniões e dos seus sistemas. Para ela, não é necessário ter pulmões e coração para se respirar, nem cérebro para ser inteligente. Ela criou a vida sob uma tal multiplicidade de formas, que nós nunca as descobriremos completamente."


 

"Há tantas coisas a descobrir quando assistimos ao nascer do Sol, tantos exercícios que podemos fazer para nos impregnarmos daquela vida, daquela luz, daquele calor! Logo desde a aurora, prepara-se no céu um verdadeiro acontecimento... Todas as nuvens escuras ou claras que aparecem e desaparecem... Depois, todas as cores da aurora, que são como outros tantos sinais anunciadores dessa presença deslumbrante: o Sol..
Vale a pena sentir o que representa o nascer do dia. Há milhões e milhões de anos, cada novo dia repete incansavelmente o primeiro amanhecer do mundo... E há imensas criaturas, visíveis e invisíveis, que assistem connosco a esse prodigioso aparecimento da luz! Liguemo-nos a elas para saudar as forças da vida."

 

 

"Os homens e as mulheres que se enamoram desejariam que o seu amor nunca terminasse. Isso é possível, na condição de se conhecer certas regras e de as aplicar. Se quereis realmente preservar o vosso amor por um ser, não vos apresseis a aproximar-vos dele fisicamente, pois, uma vez passadas as grandes ebulições, depressa ficareis fartos e começareis a ver aparecer os lados maus um do outro. Para protegerdes a vossa inspiração, procurai manter uma certa distância.
Aqueles que querem conhecer tudo e provar tudo rapidamente, depressa deixam de sentir curiosidade um pelo outro e já nem sequer têm vontade de estar juntos, porque viram demais, “comeram” demais, estão saturados, e pronto, acabou-se! Eles sacrificaram esse amor que lhes trazia todas as bênçãos, que lhes trazia o Céu, por alguns momentos de prazer. Por que não tentam eles estar mais vigilantes? Por que se privam tão depressa dessas sensações subtis e poéticas que fariam perdurar o seu amor?"


 

"Certas pessoas não suportam o silêncio, pois elas sentem-no como um vazio, uma ausência: ausência de movimento, ausência de vida. Na realidade, há silêncio e silêncio, e pode dizer-se, de uma forma geral, que ele é de dois tipos: o da morte e o da vida superior.
É o silêncio da vida superior que devemos amar e cultivar em nós. Este silêncio não é uma inércia, mas um trabalho intenso que se realiza no seio de uma harmonia perfeita. Ele também não é um vazio, uma ausência, mas uma plenitude comparável à que é sentida pelos seres unidos por um grande amor: eles vivem algo tão profundo que não conseguem exprimi-lo, nem por gestos nem por palavras. O verdadeiro silêncio é a expressão de uma presença, a presença divina."

 

 

"Em cada ano, na primavera, com o regresso da luz e do calor, todas as sementes enterradas no solo começam a germinar e a desenvolver-se. Vós sabeis que é assim, já vistes isso acontecer, mas não compreendestes que pode ocorrer um fenómeno idêntico em vós, pois também em vós existem sementes: as qualidades e as virtudes que Deus depositou desde a origem; e, se elas não germinam e não se desenvolvem, é porque vós não pensais em expor-vos aos raios do Sol espiritual.
É com o objetivo de darmos às nossas sementes as melhores condições para crescerem e se manifestarem, que nós vamos todas as manhãs, desde os primeiros dias da primavera, ver nascer o Sol, que é a mais pura imagem da Divindade. Ninguém deve considerar-se suficientemente inteligente ou sábio para menosprezar esta prática: no plano espiritual, tal como no plano físico, as sementes só germinam e se desenvolvem pela ação do Sol."

 

 

"Não existe, verdadeiramente, realidade objetiva: para todos os seres humanos, a única realidade é o que eles vivem, o que eles sentem. Considerai o caso de alguém que tem alucinações: essa pessoa sente-se perseguida por monstros, fica aterrorizada e foge aos gritos. Fisicamente, visivelmente, ninguém está a atacá-la; mas ela sente-se perseguida, sofre, e, quando alguém sofre, ide dizer-lhe que é uma ilusão! O seu sofrimento é real. Do mesmo modo, certos seres vivem iluminações, êxtases, no meio das piores condições materiais, e, também neste caso, quem é que vai convencê-los de que isso não é a realidade? Eles estão realmente mergulhados na alegria.
O sofrimento ou a alegria que uma pessoa vive talvez sejam as únicas coisas de que ela não duvida. Com efeito, pode duvidar-se daquilo que se vê, daquilo que se ouve, daquilo em que se toca, mas daquilo que se sente, daquilo que se vive, nunca se pode duvidar; é uma realidade. Neste sentido, pode dizer-se que o ser humano é dono da realidade, porque, se ele decidir ser habitado pelo Céu, consegui-lo-á, e, quaisquer que sejam as condições, será o Céu que ele sentirá."

 


"As animosidades e os ódios entre os humanos vêm de eles nunca pensarem, quando estão uns perante os outros, que se encontram em presença de um espírito, de uma centelha, que procura manifestar-se, e que, para ajudar o espírito que ali está, vale a pena ser bom, paciente, compreensivo, generoso. Dada a maneira como eles têm o hábito de se considerar e aquilo que veem uns nos outros quando se encontram, é inevitável que acabem por ter vontade de se matar entre si.
Mesmo os cristãos, que, supostamente, colocaram o amor ao próximo como fundamento da sua religião, continuam a viver em hostilidades e confrontos. E porquê? Precisamente porque se detêm sempre nas manifestações inferiores dos seres. Se eles pensassem que há nos outros uma alma e um espírito com os quais podem entrar em relação, sentir-se-iam obrigados a ter uma atitude diferente."

 

 

"Cada coisa, cada ser na Criação, tem dois polos. Observai uma árvore: pelos seus ramos e pelas suas folhas, ela alimenta-se de ar e de luz, ao passo que, pelas suas raízes, alimenta-se de água e de terra. O homem, tal como a árvore, recebe forças de cima e forças de baixo.
Quando Adão e Eva viviam no Paraíso, no jardim do Éden, era como se vivessem nas flores. As flores estão expostas ao ar, à luz do Sol, são visitadas pelas borboletas, pelas abelhas: é uma vida celeste e irradiante que se vive nas flores. Mas, no dia em que, sob a influência da serpente, Adão e Eva deixaram as flores e desceram através do tronco até às raízes da Árvore Cósmica, ficaram sujeitos à escuridão e ao frio; então, sentiram o peso da matéria e tudo se tornou mais difícil: mexer-se, alimentar-se, etc. E continua a ser essa a situação da humanidade. Mas o trabalho do discípulo é precisamente o de aprender a dominar e a utilizar as forças subterrâneas que ele capta pelas suas raízes, para produzir, no cume do seu ser, flores e frutos."

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Gratidão sempre!

"Em cada ano, na primavera, com o regresso da luz e do calor, todas as sementes enterradas no solo começam a germinar e a desenvolver-se. Vós sabeis que é assim, já vistes isso acontecer, mas não compreendestes que pode ocorrer um fenómeno idêntico em vós, pois também em vós existem sementes: as qualidades e as virtudes que Deus depositou desde a origem; e, se elas não germinam e não se desenvolvem, é porque vós não pensais em expor-vos aos raios do Sol espiritual.

gratidão Manuela

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